terça-feira, 22 de novembro de 2011


Loba

Sou filha do mato
Da solidão do poente
Que não mais que de repente
Vê-se enclausurada.

De início,
Com brasa marcada
A levar eternamente
A marca da cultura mercantilizada.

Sou a loba
Repleta de intuição
De complexa cognição
E pouca maldade.

Carrego no peito
O sentimento materno
Mesmo sem ser ainda mãe
Só loba.

E meio confusa
No tempo e espaço
Sigo cambaleante
Como um bêbado desgovernado.

Sem a corrente de antes
Externalizada
Sigo presa a moralidade
Agora culturalmente impregnada.

E perdida entre discursos
E visões contraditórias
Sigo atordoada
Sem saber nem ser gente.

Mas eu sou...
Deveria ser...
Poderia continuar sendo...
Fui...

Só loba.