terça-feira, 8 de julho de 2014

Brazil

Que querias tu, meu amor?
Que a vida fosse esta fantasia infantil
Onde a emoção, o coração...
Justificaria toda vitória?

Onde terias recompensa
Por ser pobre e eternamente ineficaz...
Ou antes mundialmente reconhecido
Pela generosidade da doacão a mais pobres nações
Ao sacrifício e suor dos teus!?

Não te iludas, meu amor
Nem te desesperes frente ao esperado.
Desperta, pobre eterna criança 
Cuja maturidade o tempo não traz.

E quando o soluço frente a pior derrota
Romper em meio ao burburio de milhões
Chores, antes, meu amor...
Pelo tudo o que mais és tristemente um derrotado.

É que a vida, meu amado
Antes do romantismo ou história
É uma selva variada
Onde os vitoriosos só os são pelo mérito
Pelos seus constantes e eficientes atos.

E não conteis com a sorte
Esta ingrata de destino incerto
Que no mais na vida se retira
E nos deixa a porta da competência.

Onde o sangue da tradição
Não se é mais a mais-valia
E o amor, quando timidamente existente,
Da porta de casa não ousa sair.






quinta-feira, 26 de junho de 2014

Tempestade

Não se prendas, beija-flor
A tempestade do campo... que ontem
Passageiramente a flor parece ter estragado.

Não te iludas, beija-flor
Com a racionalidade do presente
Quando a vida nos tanto surpreende.

Não deixes, beija-flor
De beijar a flor mais bela do campo
Por achares que há sempre nela espinho e temeridade.

Não te esqueças, beija-flor
Que numa manhã inesperada
Podes abrir para ti o néctar mais sonhado...

É que a vida, beija-flor
As vezes vem como roleta da sorte
Dando a ti, em um momento, o presente da felicidade!!!

sexta-feira, 20 de junho de 2014

São João

O interior lá fora
Ainda permanece como sempre
Aquela imensidão de campo
Aquele friozinho de inverno.

Aqui dentro invade-se a tecnologia
E o matrix se impera
Permaneço lá no meu fantástico
E sempre perfeito mundo virtual.

Não há mais fogos lá fora
Para me assustar quando devido
Bem como a fogueira junina
Para aquecer a minha existência.

As crianças na matrix
Os velhos a dormirem cedo
E eu a escrever
Em vez de estar vivendo.

E vamos nos aquecendo
Com trajes cada vez mais necessários
Enquanto o coração vai se esfriando
Coberto na medíocre-bela contemporaneidade.


sábado, 1 de fevereiro de 2014

Ampulheta do tempo

Assusta-me o correr do tempo
E a brevidade do que antes era lento.
A vida a perpassar meus anos
Corre-me na frente, desgovernada.

Sinto-me uma criança 
Eternamente a correr atrás
Daquilo que nunca se torna alcançável.

Uma criança que brinca
Com a ampulheta da vida
Inventando representações do mundo adulto.

Corre de mim o tempo
Corre de mim a vida
E eu, sempre despecebida,
Continuamente embrulhada pelos banais eventos.

E os anos da mocidade tão lentos
Agora a realizar os desejos infantis
Que insanamente o pedia agilidade
Para aflingir-lhe, agora, quando adultos.

E aquele tempo, outrola tão lento
Corre pela ampulheta da minha vida
Descontrolado e quase impercepitível
Tornando meus anos em breves momentos programados.

E a rotina, tanto antes repudiada
Agora a acalmar-me a alma
Ou antes a acomodá-la numa agenda traçada
Para no fim atormentá-la com o tempo que se foi.

E as pernas, e as ruas, e o mar....
Prosseguem com tanta naturalidade
Que não mais encontro espaço para a fuga
Ou antes, a possibilidade de carregar em mãos, a Vida! 










 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Saudade

Ai...saudade
Saudade de quando fazia frio
E a minha pele o sentia.

Saudade de quando o verão
Por minha janela transpassava
E eu alegremente o via.

Saudade de quando a primavera
Em meus olhos brilhavam
Com suas pétalas desprendidas.

Saudade de quando meus pés
Descalços corriam
Pelo chão ainda morno da fantasia.

Saudade da parede de casa
Que todo dia encostada
Me media.

E eu, com os olhos para frente
Nem percebia
O tempo que para trás corria.

Saudade da boneca de cristal
Do papai noel no natal
E do amor acreditável.

Saudade de minha infancia prolongada
Onde não ter quase nada
O coração era, completamente, o mais-valia da vida.


sábado, 11 de janeiro de 2014

Gangorra do amor

No balanço da vida
Eis a menina a brincar com os amores
Querendo quem no momento não a quer
Sendo amada pelos que ela não mais ama.

Na gangorra do amor
Eis a menina de pés ao alto
E olhares inconformados
A brincar e ser brincada 
Neste polo incongruente da afetividade.

Quando a chama acende
O outro apaga.
Quando se cansa e distancia
O outro, em novas chamas, deseja.

Deve haver uma explicação
Sobe de novo a menina
E desce, seguidamente, sozinha
Sem respostas, sem palavras.

Haveria de ter problemas o amor
Ou antes a boba menina
Que embora soubesse do paradoxo humano
Nunca jogava como sabia.

Ou queria ser eterna solteira esta menina
Ou nunca deixara o parque imaginário
Com as ferramentas nas mãos
Abria a mão do jogo
Para brincar nos romances empoeirados.

Se era triste, ou era alegre
Se persistiria, ou desistiria
Não sabíamos: nem eu, nem ela

Apenas de longe a via
A subir e a descer, constantemente
Com coração cada vez mais parado
Na gangorra do amor.