Ai...saudade
Saudade de quando fazia frio
E a minha pele o sentia.
Saudade de quando o verão
Por minha janela transpassava
E eu alegremente o via.
Saudade de quando a primavera
Em meus olhos brilhavam
Com suas pétalas desprendidas.
Saudade de quando meus pés
Descalços corriam
Pelo chão ainda morno da fantasia.
Saudade da parede de casa
Que todo dia encostada
Me media.
E eu, com os olhos para frente
Nem percebia
O tempo que para trás corria.
Saudade da boneca de cristal
Do papai noel no natal
E do amor acreditável.
Saudade de minha infancia prolongada
Onde não ter quase nada
O coração era, completamente, o mais-valia da vida.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
sábado, 11 de janeiro de 2014
Gangorra do amor
No balanço da vida
Eis a menina a brincar com os amores
Querendo quem no momento não a quer
Sendo amada pelos que ela não mais ama.
Na gangorra do amor
Eis a menina de pés ao alto
E olhares inconformados
A brincar e ser brincada
Neste polo incongruente da afetividade.
Quando a chama acende
O outro apaga.
Quando se cansa e distancia
O outro, em novas chamas, deseja.
Deve haver uma explicação
Sobe de novo a menina
E desce, seguidamente, sozinha
Sem respostas, sem palavras.
Haveria de ter problemas o amor
Ou antes a boba menina
Que embora soubesse do paradoxo humano
Nunca jogava como sabia.
Ou queria ser eterna solteira esta menina
Ou nunca deixara o parque imaginário
Com as ferramentas nas mãos
Abria a mão do jogo
Para brincar nos romances empoeirados.
Se era triste, ou era alegre
Se persistiria, ou desistiria
Não sabíamos: nem eu, nem ela
Apenas de longe a via
A subir e a descer, constantemente
Com coração cada vez mais parado
Na gangorra do amor.
Assinar:
Postagens (Atom)