terça-feira, 15 de setembro de 2009

Jogo de buraco

Com as cartas nas mão
Amo jogar buraco
O duque
A canastra
O morto.

Amo segurar cartas dos outros
Prender o jogo
Bater fechado.

Só o que não amo
É ser o jogo imprevisível
Pois passivo torno-me
A esperar ansiosamente
Por uma batida e canastrão
Sem saber quando virá
Se é que virá...

Então, passo a ser
Apenas um jogador
Jogando no acaso
Jogados ao acaso
Parceiro.




Amar

Nunca me ensinaram a amar
Nem as estratégias para o amor
Nem as regras para paixão.

Como não me ensinaram a andar
Apenas aplausos e risos
Frente a passos, frente a quedas.

Não me ensinaram a chorar
Apenas as lágrimas rolavam
Diante do intenso e indefinido.

Então não aprendi a amar
Apenas amo
A cada noite
A cada instante.

Sem castelos
Apenas uma rede
Apenas um campo
Apenas um mar
Apenas.

Apenas você
Apenas eu
Apenas a vida
Apenas o amor
Apenas.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009


Por quê?

Por que eu me faço de boba
Deixo-me ser boba
Perdida no tempo?

Deixo passar o tempo
Minha vida
Numa ânsia desmedida
Que nem mede realidade.

As curvas na face
As curvas na vida
E vou com meu carro
Só de nome
Por uma estrada sem saída.

Como uma criança que sonha
Ser o algodão doce
A nuvem lá do alto;
Vivo olhando para cima,
E você, segurando minha face.

Por que não me deixas ver?
Olhar para esses meus pés
Tão limitados.
Parados,
Como quem estar por decidir caminho
Sem nem ainda existir essa intenção?

Por que nunca me ensinastes a visão?
Por que desde a cegonha
Nunca contaste a vida
Vida concreta, sem maquiagem,
Sem estórias de santos
Sem castigo de Deus?

Por que nunca cortastes
A alça que nunca
Deixou-me correr?
Por que nunca deixastes
Que eu reparasse
Sua vida, seus amores?
Para que assim,
Tivesse a coragem
De seguir-te
Não tuas palavras e estórias
Apenas tua vida.
E quem sabe ir mais a frente?

Mas apenas me enchia de sonhos
E me prendia a saia
Como tua eterna criança
Sem nunca ver
Que eu já tinhas asas
E só precisava voar.

Você com tuas estórias
De princesas
De donzelas
De princípes...
Estórias que limitam vidas
Por traz de ideais românticos.

Virei eu,
A tua bela adormecida
Com os olhos fechados
Pés deitados,
Só lagrimas correm.
Nessa pequeno existir

Apenas sigo sonhando,
Sonhando com tuas estórias
Estórias que nunca
Tiveram o poder de serem vivas.

domingo, 19 de abril de 2009

Beija-flor



Quando em meio à solidão
Numa noite gelada e vazia
Surgem palavras de amor
Que hei de fazer?
Se não agarra-las seguramente
E dormir com elas
Amando-as em sonhos
Sonhando-as acordada.

E quando na manhã
Abro os olhos
Porque é dia
Que hei de pensar?
Se não em tuas palavras
Que refletem sentimentos
Desejos de completude
Imagens em fotos coloridas.

E quando à tarde
O tempo passar lentamente
Que hei de fazer?
Se não esperar ansiosamente
Por um passarinho
Que beije a minha flor
E a alimente com gotas
De utilidade, felicidade.

E quando o passarinho for dormir
E o amanhã incerto for
Que hei de fazer?
Se não viver dessas lembranças
Reviver cada palavra
Que faça prolongar nossos desejos
Desejo de te ter, beija-flor.

E quando meu beija-flor
Desejar que o revele meus sentimentos
Que hei de fazer?
Se não mostrar em atos
Em poemas
A grandiosidade do que sinto
Por não conseguir dizer em única palavra
Amor.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Parabenização a proibição ao beijo

Aplausos a quem é sábio, prudente. Como não comemorar a uma atitude tão audaciosa como a proibição ao beijo em estação de trem inglesa? Como não desejar que proibições semelhantes sejam vivenciadas em nosso território nacional? Numa época em que o sentimentalismo anda tão fora de moda... e os relacionamentos tão técnicos e desmotivantes... nada melhor do que proibições a expressões de afetos. Os beijos, agora dados, não são, jamais, como os de antes.
Torcemos para que sejamos proibidos de beijar... de abraçar... de amar... Torcemos para que nossa racionalidade e lucratividade sejam valorizadas ao máximo e expostas claramente, e os sentimentos proibidos em proporções semelhantes. Não é da falta que se faz o desejo? E das proibições o desejo por vivenciá-los? Então proibamos mais... proibamos o beijo... o abraço... o amor familiar... a conquista... a liberdade...o amor difícil... o encontro sem sexo... as palavras de afeto... as demonstrações públicas de amor...
Torcemos... torcemos muito para que as proibições sejam postas em cartazes... e que sejamos levados a serem os rebeldes a transgredi-las freneticamente, e que aprisionados por semelhantes crimes, venhamos a revelar, conhecer, nossos corações, desejos, por tanto tempo encobertos.

Rosineide Sales


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009


Bem me quer
Mal me quer


Bem me quer
Mal me quer
Bem me quer
Tomei-te como bem
Meu bem
Como desejei
Conhecer sobre mim
Teus desejos
Em cada pétala
Esperança
De me querer.
Diante de sua doce essência
O desejo da dependência constante
De ter direito a sua fonte
E eternamente beijar-te.
Sonhei em encostar nos seus
Meus lábios
Cheguei-te com asas
De sonhos
Esperançosa de me ter
Em teu talo.
Recebi-te com sorriso
Na face.
Desejosa de tocar

Tuas folhas
De contar contigo
Estrelas.
De viver contigo
Amores.

Eras meu maior bem
Bem me quer
Mal me quer
Mas existe o mal
O equilíbrio
Que asas não conseguiram manter.
Manter sorriso à distância
Manter sonhos que se sonha só
Manter lábios esticados
Para flor que se vira
A cada vento
Sem direcionamento
Sem certezas
Do que se quer ter.

Meu bem
És agora meu mal.
Tenho que deixar-te
Ao vento.
Seguir de lábios
Abertos
A esperar um beijo
Apaixonado.
Por outra flor que se entregue
Sem medida
Numa ânsia desmedida
Por não morrer só.
Que na indecisão
Guiada pelo vento,
Agarre-me
Em qualquer evento
Momento.
E sinta:
Sou de carne
Sou de desejos
Sentimentos.

Longe no tempo
Suas folhas vão sacudindo
Caindo...
Bem me quer.
Só és agora talo
Secando...
Mal me quer
Não és mais flor
Mas eu,
Continuo...
Em essência,
Persistência,
Beija-flor.

sábado, 7 de fevereiro de 2009



Cercada de amantes
Sou eu a solitária
A amar-te
Palavras!


A senti-lo
À distância
Num êxtase
De apaixonados.

A beijá-lo
Em sonhos
A sonhar
Acordados.

Mas em ti não há sonhos
Não há desejos
Não há quentura
Não há sentimentos.


Sem rumo
Sem desistência
Falta o ar
Que tem seu cheiro.


Falta o sentido
Suas palavras
Sua presença
Tua ausência!

Sou agora solitária
Que não cede a amantes
Porque o coração ainda espera
Por ti só, homem!

sábado, 31 de janeiro de 2009


Sonhador

Sonhador!!!
Passas pela minha janela
E acena para mim
Tua esperança.
Soltas beijos
Em forma de sonhos
E derrama as pétalas
Que conquistarei
Ao teu encontro.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009


Ecos constantes em paredes vazias
Só o pêndulo do relógio
Em meia volta
Volta meia
Não pára
Solidão.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009


Vida distante ou
Amor à distância

Que felicidade!
Não estou sozinha
Nem preciso sair de casa.
Não preciso ter casa
Não preciso ter medo de amar.

Não preciso parar de estudar
Não preciso sair para trabalhar
Não preciso aventurar o coração...
Para ter a sensação de namorar.

Tenho meu amor e amo-o
Em palavras
Em discursos...
Em fotografias.

Amo-te sem nunca ver-te
Amo-te sem nunca tocar-te.
Beijo-te todas as noites
E amamo-nos em nossas casas.

Nosso namoro já se prolonga
E a paixão nunca acaba.
Sempre tenho novas
E tu, palavras.

Relacionamento sem brigas
Sem ciúmes, nem defeitos
Tu és perfeito
E eu, a tua amada.

Amamo-nos em sonhos
Amamo-nos em tela
Vamos criando desejos
Em inventários de vida bela.

Como amores comuns
Sentimos a falta
A falta de palavras
Quando o tempo nos falta.

Sinto a tua falta
E desejo-te toda a noite
Até quando nos amamos, em palavras
Frente a telas pintadas.

Tela onde pintamos desejos
Tela onde o cupido arteiro
Flechou-nos com linhas
Linhas trançadas de palavras.

Para de palavras fazeres a nossa cama
De palavras estremeçermos os corpos
De palavras criarmos o amor
E de palavras nos criarmos.

E eis voce no meu quadro
Idealizado como nosso amor
E eis eu no seu
A trazer poucos traços do que sou.

E sem materialidade
Nao precisamos mais de realidade
Precisamos somente da virtualidade
Que nos faz perfeitos amantes e estrelas.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2009



Aspecto do amar

Em meu espelho
Vejo uma cama vazia...
E o corpo de uma mulher
Descalça
Com roupa antiquada
Cabisbaixa
Com seus longos cabelos...

A noite está fria
E o coração ainda quente
Anda apertado...
Amarrado em tiras vermelhas

Com o semblante abandonado.

No chão algumas lágrimas
De quem perdeu algo.
No relógio
O tempo não passa...
O cabelo não desembaraça...
A esperança teima a não morrer.

Mulher teimosa
Nunca aprendestes a não amar,
Nunca deixas de esperar
Por um trem que nunca pára.

Mas eu sou a mulher
Que não mais consegue se ver no espelho
Que estou a parar
Que estou a morrer
Que não aprendi a viver.

Descalça,
Sinto o chão em brasa
Sob meus pés sensíveis
Ridículos!
Que não sabem para onde vão.

Por que larguei meu rumo
Para pistas que nunca andei?
Infeliz que sou
Pensei ser a felicidade.

Acabei sem pistas
Acabei sem mim
Acabei só um resto de mim.

Amei a rosa
Mas não sabia que o espinho fazia parte
E cada dia a me cortar
A me dividir
A me diminuir
Rasgando um coração de papel
Riscando-o com cores sombrias
Que nenhuma tinta apaga.

Com as mãos machucadas dos espinhos
Só existem lembranças da rosa,
A perfurar as feridas.

Com o coração partido
A vida me abandona
Só existe o resto do olhar
Um olhar sem brilho
Como um dia nublado.

E eis eu ali...
Pequena mulher
A sumir...
A se fechar
Num último ofício de quem

Nao mais tem por quem esperar.

Sem caminhos
Sem pés...sem braços...
Não há o que se esperar
Somente que os cacos se juntem
E sobre ainda
Algum resto de mulher
Algum motivo de vida
Alguma razão de sonhar.

Mas sem esperanças
Só me resta o fechar

O pentear

Como ofício a preparar
O aceno para a infinita partida
Sonhando em desejar o que nunca pode
Que o amor não volte
Nunca mais...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009


Quebra-cabeça

Roma
Mora
Omar
Ramo
Maor
Armo
Amor
.
.
.
Reflexão
.
.
.
A Roma idealizada... construída sob mitos... morada dos sublimes... rodeada pelo mares... em ramo se destacou... o maior... se elevou... se abateu... na loucura desmedida... armada pelo forte elemento do desejo... amor... e assim seguem ambas (Amor e Roma) em nossa língua tão bem harmoniosa que diria serem de uma mesma essência... tão bem representada pelas palavras cujas letras se anulam... e vão formando histórias e fins em comum.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009


Gangorra

Na gangorra da vida
Eu venho
Tu voltas...

Eu subo
Tu desces...

Eu ao sul
Tu ao norte...

Nunca nos encontramos...

Eu com medo
Tu confiante...

Eu confiante
Tu com medo

Não desças!
Não desças!

Vamos se jogar?
...
Rosy Sales

sábado, 10 de janeiro de 2009


O Crime



Na ampulheta do tempo

A menina dos teus sonhos

Vai se esvaindo em grãos... em líquido...

Pelas tuas grossas e abertas mãos.



Olha distante... Confiante

Palavras certas...

Você segue... viajante

Só crê que a menina te segue.



Cada vez mais distante

Seus passos seguros

Sob caminhos imprecisos

Vai voando em sonhos.



Só quando em casa

A perceber que a menina nao volta

Vê-se as mãos borradas... pintadas...

Pelo crime da espera... da nulidade.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009


FELICIDADE

Disseram-me que felicidade existe,
E desde pequeno a procuro.
Não sei se é somente porque gostei de seu nome,
Ou é um amor platônico e infantil.
Não sei se é inconsciente ou racional,
Não sei se porque me juraram que ela existia,
Que tomei por prová-la.
Às vezes, até cheguei a tocá-la, de longe.
Conquistei o seu lenço, somente.
Ela sorriu por um minuto,
E eu parecia estar nas nuvens,
Por uns minutos.
Dormi, sonhando que ela continuasse ali mesmo.
Mas pura ilusão.
Ela fugiu, ou não era o seu lugar.
Então a desejei completa e eternamente, só para mim.
A Procurei incessantemente; os anos passaram.
Nunca esqueci aquela linda e inexplicável felicidade.
Outras vezes até conquistei um pouco de sua presença,
Algum resquício de si. Mas só isso.
Então era isso,
Talvez ela existisse, ou fosse utopia humana.
Mas bastava isso: amá-la e desejá-la,
Mesmo que nunca a possuísse completamente.
Porque a vida é a verdadeira graça!
E eu: sua criança, a brincar entre suas infinitas pernas.
Rosy Sales
Se quiseres que eu saiba,
Que eu sinta...
Mostre-me!
Mostre-me com as mãos...
Com a face...
Com a presença...
Com a matéria...
Os sentidos.
Mas não com as palavras,
Não as necessito mais!
Abraço sem calor,
Beijo sem gosto,
Promessas sem atos,
Narrativa em quadro.
Quadro sem vida,
Numa praia sem gente,
Ondas sem movimentos,
Areia sem grãos
Sol sem vento
É só um quadro!
Palavras... falas...
Que o vento leva e passa.
Carta ao leitor

Vais dormir amigo leitor,
Deves estar cheio e triste
Desses poemas sem palavras,
Cuja realidade crua e fria,
Vais inundando teu ser,
Que nem sabias existir.

Como um gato na janela,
Esperavas uma sardinha,
Pensava haver algo na pia.
Estavas certo:
Existia.
Mas era um saco de pedras.

Por que não desististes de primeira?
Teimoso que és,
Querias saber o que sempre soube.

Como um cão ansiando pelo seu osso,
Na porta de um velho,
Cuja geladeira está vazia,
Estavas lá a esperar.
Mas o quê?

Dorme!
Eterna questão essencial

A vida inteira é muito tempo.
Imagine um mesmo celular a vida inteira
Um mesmo ofício a vida inteira
Uma mesma faculdade a vida inteira
Um mesmo carro a vida inteira
Uma mesma roupa
Um mesmo calçado
Um mesmo relógio
Um mesmo dia
Uma mesma estação de ano
Uma mesma estação de rádio
Um mesmo filme todos os dias
Uma mesma comida
Um mesmo livro
Uma mesma história
Um mesmo PC
Um mesmo amor...

Ah não! Com amor não.
Tem que ser eterno!
Por quê?
Porque tem que ser!
Maria

Maria, Maria,
Deixes de sonhar,
Esqueça o amor,
A fantasia,
A esperança.

Sozinhas no escuro,
Encontras o José.
Sozinha continua,
A viver,
A ser.

José segue em frente.
Não olhas,
Não olhas.
Deixe-o em paz.
Esquece-o.

Sozinha,
Prossiga.
Sem fantasias,
Sem esperanças.
É sozinha Maria.


Mas se eu queria?
Querer é para muitos, Maria.
Mas poder é para poucos.
Descansa,
Esperas o fim.

Mas quê?
Pra que os sonhos,
Querida?
Alcançou-os por vez?
Oh, trágica histeria,
Contemporânea.

Vens,
Quer um abraço?
Dou-te,
Mas só isso.
O agora.
Vá pra casa.

Ainda nisso?
Sentimentos?
Oh Maria,
Desisto,
Não há jeito,
És mesmo antiquada
Amor não mata!

Dizem que amor não mata,
Não...mata.
Sonhos,
Crenças,
Projetos inacabados,
Idealizações.

Sem lágrimas,
Os passos lentos,
Aprendizagem,
A negação do ser,
Ser sentinte,
Solitário.

Sem amanhã,
Sem trilhos,
Segue desgovernado,
Meu vagão,
Movido pela falta,
Falta de carvão.

Lento, lento, lento...

Sem destino,
Sem roteiros,
Sem esperança,
Só um ponto de luz,
Distante,
Através da aparente Tela.

Sem sonhos,
A noite passa,
Depressa,
Sem pressa,
Para pensar,
No palco da vida.

Rápido, rápido, rápido...


Meu mundo

Sempre vejo o mundo,
Pela janela de minha casa,
Janela de vidro,
Nem grande, nem pequena.


Às vezes, na náusea,
Apago as luzes,
E ele fica lá,
Meio que distante.

Sinto-me aliviada,
Ali sozinha,
Só eu, ainda confusa,
Minha singularidade.

São nesses momentos,
Que vou a uma extremidade do quarto,
Entre os resquícios das luzes externas,
Olhar-me no espelho.

Meio antigo,
Meio empoeirado,
Conservo-o por estilo,
E vejo a menina de antes, do agora.

Com um gozo singular,
Vejo a imagem que sonhei,
Cada vez mais distante, translúcida,
Na passagem das luzes externas pelo aposento.

Distante, temerosa,
Começo a sentir a chegada do dia,
Tristonha, me despeço,
Deixando lá meu tesouro escondido.

É dia de sol,
Abro as janelas,
Com os olhos pestanejando,
Difícil ver o mundo.

Saio sozinha,
Ruas vazias,
Ônibus vazios,
Só pernas meu Deus!

Na impossibilidade de ser,
Na impossibilidade de não ter,
Aquele que não é,
Abdico dos meus preciosos desejos.

E na ausência de sentido,
Sigo em frente,
Em mais um dia monótono,
A sonhar a noite de viver o eu.
Ainda não sou flor

Sou apenas a esperança de vir a ser

Promessa hereditária de ser algo
Numa materialidade mal definida.


Mas ainda não sou flor
Nem sei se virei a ser

Ou se saberei que sou

Para além de uma estrutura... definição.


Ainda sou projeto

Sou mistura... fusão

Racionalidade... sentidos... instintos...

Cósmico e materialista.


Ainda sou junção de pétalas... botão

E lá entre inúmeras rosas...

Vou se fazendo uma

Num eterno desejo de ainda ser.