segunda-feira, 7 de maio de 2012

Eterno deserto

O verão chegou
Se firmou
Não passou
Nunca me deixou.

Imponente
Mais que sempre
Incendiou meu coração
Minha casa de ranchão
Meu barraco, moradia.

Secou a lagoa de casa
A água que bebia.
Secou as árvores de minha mocidade,
Matou os pés de feijão que comia.

Meus pés,
Marcados à rachas.
Descalços ao infinito
Empoeirados...

Meu cabelo
Ao vento...
Vento seco...
Seco e descuidado.

O outono chegou
O outono passou
Despercebido
Sob o império do grande sol.

E quando dei por mim
Fazia um pouco de frio
Estava do lado de fora
Atrás do nada.

Ou antes estava
Com frio de dentro
Do medo de dentro
Que só uma beduína conhece

Beduína de dura vida
De longos desertos...
A aprender a dança do desejo
Quando na eternidade do verão
O inverno nunca chega.