Oh Maria! Como podes?
Flutuar por sobre este caminho de pedras
Num céu sobrecarregado e cinzento
Como se fosses, para ti, céu de algodão?
Não te lembras da tempestade avassaladora
Há quase um mês?
E do cenário político em ruínas
Da qual minha vida não se recuperou?
Paul! Não olhes para trás
Hoje faz sol de verão
Tudo está se encaixando na normalidade
No campo positivo do pensamento
Não andeis como caranguejo
A olhar para o que se foi
Hoje é o dia
Estou tão feliz e animada!
Aquiete-te Maria
Com esses seus discursos positivados
Que bens vejo seu futuro
E seis que não vais para aquele lado
Não teremos oportunidade
Neste cenário tão devastado
Nesse cenário que seremos trocados
Ou antes, condenados, a viver no imaginário
Marta, aquiete-te
Que o futuro ainda não vemos
E pouco o importa, mais do que hoje
Nem o ontem que já se foi
Andais abraçada a arte
A dramatizar a vida
E a romancear o caos
Como uma poeta em melancolia
Mas que adianta
Se não sentires a brisa do orvalho...
E que adianta achares que és feliz
Para lá na frente caíres num real buraco
Mas que adianta veres o buraco
Se cairás de qualquer forma?
Ai! Coitados de nós
Como escaparemos desses tempos verbais?
Que tempo? Não penso!
Sou louca? Só uma coach?
Ah! Tanto faz!
Acho que sou manhã de verão!
Acordas!
Já já é outono-inverno!
Vou pegar meu casaco!
Acordas!
O verão já passou
Vou guardar minhas blusas de alça
Já chega!
Vocês me deixam confusa
Como bola nas mãos das crianças!