quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Benzinho

Quero teus negros olhos
Brilhantes como pérola
A iluminar minha face
Com o sublime desejo.

Quero teu riso de saciedade
Que entre beijos e abraços 
Sabe fabricar felicidade 

Quero nossas mãos bem unidas
Enquanto nossos passos
Caminham juntos pela eternidade 

Quero tua simplicidade 
A decorar a minha vida
Com a alegria dos simples momentos 
Na companhia da felicidade 

Quero-te como uma rosa
Que no jardim da existência 
Almeja o bom jardineiro 

Para nos caminhos da vida
Sentir o perfume da roseira 
A espalhar em todos o momento 
O amor que traz sentido a existência.








sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Ruído

As vezes as palavras não dizem nada

As vezes as palavras dizem muito

Muito mais do que eu queira expressar...

 

E vão elas se multiplicando

Tentando corrigir o incorrigível

Quando na virtualidade não há borracha

E dela se exclui a face, o sorriso

 

Se retira as expressões da velha face

As lágrimas de choro e de riso

O olhar e seus desvios inevitáveis

 

Fica quase nada

Só palavras, pontuações

Quase sempre mini ou monosilábicas

Muitas vezes mal enterpretadas

 

E vamos nos desviando

Tentando corrigir palavras editadas

Na vão tentativa de editar o indizível.

 

E na impossibilidade de se revalar a face

De fazer carinhas diferentes

E apagar com beijos e carícias

O que a falta da esponja do whats não apaga...

 

Vou eu a dormir tão aborrecida... incompreendida

Diante dos sentimentos e da realidade serem tão diferentes e calmos

Daquelas  multidões de palavras virtualmente mal expressadas.

 

Pobre de mim e infeliz ser contemporâneo!!!

Onde a virtualidade nem de longe me fornece

Os inúmeros recursos que minha humanidade usufruia

E a palavra se torna a imperiosa verdade absoluta e incorrigível.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Inverno

Meu amor
Traz a lenha
E aqueçe a fogueira 
Que meu coração anda amornando...

Traz o casaco
Que me esquenta de desejo
E o abraço quente
A aquecer meu inverno

Pois sou nordestina 
Que com brilho de menina
Não consegue ser feliz
Quando o frio a paraliza

Se quiseres, coloro tua vida
Pinto nosso céu com estrelas
E te conduzo pela existência 
Como brincadeira de criança 

Mas antes, aqueçe meu coração 
Com teu coração 
E mostra a esta menina 
Que realmente a deseja. 


No caminho

São tantas as coisas 
Que se passam no caminho
Que atravessam nosso percurso 
Que o muda como corrente de ar que passa

Lá se vai a menina
Antes tão linda, perfumada e no salto
Agora de cabelos ao vento
Com o cheiro das folhas e do barro
Descalça, com a graça de menina

Menina que agora o medo faz surgir
Como os fantasmas de uma noite qualquer
E a inocência a rever sua colorida vida
Com a temeridade de um velho experiente, mas desencantado

Que fará da vida esta menina?
Se do interior de outros seres
Não se conhece quase nada
E do futuro, segurança inexiste em seu vocabulário 

Que fará deste morno coração esta menina?
O congelará em sua torre de marfim?
Ou o aquecerá no perigoso fogo do amor?

No meio da vida
Lá se vai os caminhos divergindo 
A partindo...
No longo e imprevisível xadrez da existência. 

quinta-feira, 30 de abril de 2015

O burburinho do silêncio

Sob o burburinho de multidões
Es em silêncio a menina
Menina que em rua não se nota
Que em cotidiano não se saliencia.

Silêncio que em casa provoca
A eclosão de burburinhos inauditos
Que com apenas soluços se rompe
Um grito ou esboço de suspiro.

As multidões de vozes tangenciais
Os inúmeros sonhos divergentes
A vontade de não ser só gente
Sob o quadro... Multicores reveladas.

Como livro que se esconde
Embaixo de almofadas
Eis a menina a ofuscar
A verdadeira expressão... essência... da arte.