Quem é essa menina
Que passa em minha rua
Pontualmente às horas...
Que passa de vestido vacilante
Pés bambeantes
Destino certo.
Não se vê em sua face
Sinal de conformidade
Mas o corpo, isto impõe.
E lá vai todos os dias
Vai e volta
A me encher de náuseas.
Ou se cansa essa menina
Ou meus olhos enfadam
Até que desapareça.
Mas como brasileira
Essa menina não desiste
Não larga-me nunca.
E desesperada por não vê-la
Repentinamente sumir
Fico entrelaçada, fingindo-me adulta.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Fantasma
Como um silêncio ensurdecedor
Sua ausência injustificável
Paira em mim o desespero
Da impossibilidade da significação e sua temporalidade.
Sua ausência injustificável
Paira em mim o desespero
Da impossibilidade da significação e sua temporalidade.
Desespero que se fixa
Como um grito mudo
Uma angústia invisível
Um som não escutável.
Como um grito mudo
Uma angústia invisível
Um som não escutável.
És essa sua ausência para mim
Que retira de mim presença
E ameaça a desestruturar-me
Como um sopro ao arranjo de dominó enfileirado.
Que retira de mim presença
E ameaça a desestruturar-me
Como um sopro ao arranjo de dominó enfileirado.
Antes houvera palavras
Antes houvesse esbofeteado-me
Do que seu sumiço inexplicável
Enquanto o vejo sempre em mesma praça.
Antes houvesse esbofeteado-me
Do que seu sumiço inexplicável
Enquanto o vejo sempre em mesma praça.
Viro-me a fantasma
Donde não lembras existência
Mas que ao perseguir seus passos
Sonhar ganhar passos que antes tivera.
Donde não lembras existência
Mas que ao perseguir seus passos
Sonhar ganhar passos que antes tivera.
Até que com o ego refeito
Volte a ser de carne
E pela estrada que a vida leva
Possa desejar, esperançosa, novo afeto.
Rosy Sales
domingo, 6 de janeiro de 2013
Deserto
É na imensidão do peso
Que revelo a força oculta.
Como uma menina descalça
Que segue em frente a caminhos longosEm deserto sem água
Que da raiz profunda retira vida...
Eis-me no deserto longo
A escavar esperança
A manter-me viva.
Surge agora a aparência do sublime Ser
Com suas grandes mãos
A gotejar-me pingos d’água
Fazer-me vislumbrar o entardecer.
E como uma águia
Depois de longa despenagem
Lá vou eu abrindo as asas
E saltando por entre abismos
Enquanto o infinito me acha.
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