segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Mãos dadas

Pensei que fosse importante
Que fosses grande
Impetuoso como o sol de Salvador
A tomar o controle de quase todo o dia.

Querias que fosses certo
Como um ponteiro de relógio
Que nunca pula os segundos
Na contagem do tempo infinito

Querias que fosse nobre
Com um sobrenome de realeza
Um título de doutor
Ou um império de riquezas

Mas hoje me sinto tão humana
Tão leve e tão sensata
Que só quero-te
Como és... meu pequeno grande homem

Quero-te com essa paixão
Que nos atrai fortemente
Com esse amor
Que nos une até ausentes

Quero-te com esse sorriso de menino
A errar algumas vezes no caminho
Para então achar o impensável
Trecho mais certeiro e sensato

Quero-te com essa humanidade sublime
A me tirar do sério
Quanto só a razão apodera-me
E a humanidade foge pela janela

E é ai que nossas mãos se unem
Nossa fé se fortalece
Nossos passos se estabelecem
E nossos sonhos Deus revela

Já não há caminho certo
Previsibilidade de tudo
Racionalidade demasiada
Só há nossas mãos dadas.

Menina com cabelo ao vento

Ela anda pelas ruas da existência com os pés descalços
A sentir o calor excessivo do solo soteropolitano
As inúmeras pedras no caminho
Os buracos da estrada
O aguaceiro das tempestades isoladas...

Mas os transeuntes, ao lado, prosseguem
As vezes inertes ou cabisbaixos
As vezes eufóricos e fantásticos
Como uma gangorra em praça pública
Na rua da Felicidade

Não faz frio, nem calor
Não tem gente no lado
em meio a multidão desorientada
Seguem como marimbondos
Cuja casa é atacada.

Mas esta menina com cabelos ao vento
que caminha a pés descalços
Tudo sente, sofre, goza, vê, ri, chora...
Enquanto os calos nos pés vão preparando-a
A vivenciar a clandestina felicidade!