A imposição implícita da normalidadeSilencia minha alma
Com a sensação de quietude
E uma angústia sentenciada.
Vais a passar a rua
Atravessar as paredes do trabalho
Penetrar nos espaços dos lares
Circular nos arredores do meu quarto.
Traz aos meus dias a previsibilidade
Com os clichês, costumes e guias de etiqueta.
Afasta-me das diversidades de dons
Enquanto, paradoxalmente, apresenta-se as incontáveis plaquetas.
São poucos na arte, na tradição, na retórica
E multidões de chapeleiros no mercado.
Poucos que se perdem nas folhas amareladas
Imensidões que se acham entre os cordo~es do populacho.
E entre os saltos palpitantes
Ei-los na fantasia da alegria constantina
Enquanto os melancólicos visionários a inventar o sofrer
Diante da imensa produção de felicidade clandestina.
Rosineide Sales

