segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Fantasma


Como um silêncio ensurdecedor
Sua ausência injustificável
Paira em mim o desespero
Da impossibilidade da significação e sua temporalidade.

Desespero que se fixa
Como um grito mudo
Uma angústia invisível
Um som não escutável.

És essa sua ausência para mim
Que retira de mim presença
E ameaça a desestruturar-me
Como um sopro ao arranjo de dominó enfileirado.

Antes houvera palavras
Antes houvesse esbofeteado-me
Do que seu sumiço inexplicável
Enquanto o vejo sempre em mesma praça.

Viro-me a fantasma
Donde não lembras existência
Mas que ao perseguir seus passos
Sonhar ganhar passos que antes tivera.
 
Até que com o ego refeito
Volte a ser de carne
E pela estrada que a vida leva
Possa desejar, esperançosa, novo afeto.
 
Rosy Sales

domingo, 6 de janeiro de 2013

Deserto


É na imensidão do peso
Que revelo a força oculta.
Como uma menina descalça
Que segue em frente a caminhos longos

Em deserto sem água

 
Como árvore forte

Que da raiz profunda retira vida...
Eis-me no deserto longo

A escavar esperança
A manter-me viva.

 
Na fraqueza da frágil mortal

Surge agora a aparência do sublime Ser
Com suas grandes mãos

A gotejar-me pingos d’água
Fazer-me vislumbrar o entardecer.
 
E como uma águia

Depois de longa despenagem

Lá vou eu abrindo as asas

E saltando por entre abismos
Enquanto o infinito me acha.