O poder
Esse bicho impetuoso
Que vai chegando de repente
E faz-me esquecer de todo meu passado
Vou esquecendo da fraqueza
Do respeito e admiração pelo outro
Do carinho e atenção aos de casa
Até mesmo da minha humanidade
Faz-me trocar de guarda-roupa
De carro, casa e sandália
Só para viver a ilusão
Que ando sob nuvens e tenho asas
Empino o peito na rua
Fecho o coração em casa
Esqueço das virtudes dos que são minha base
E viro artista solitário
A fim de reconhecimento e aplausos
Caminho sobre luzes das câmeras
Sob minha face modelada
E sobre comentários de fora
Por pessoas que ocultam sua verdadeira mentalidade
Ah poder, poder
Contemporaneidade sublime
Espaço de realização do eterno desejo
De cada um falsamente realizar-se
Nessa sedutora sociedade do espetáculo