E a brevidade do que antes era lento.
A vida a perpassar meus anos
Corre-me na frente, desgovernada.
Sinto-me uma criança
Eternamente a correr atrás
Daquilo que nunca se torna alcançável.
Uma criança que brinca
Com a ampulheta da vida
Inventando representações do mundo adulto.
Corre de mim o tempo
Corre de mim a vida
E eu, sempre despecebida,
Continuamente embrulhada pelos banais eventos.
E os anos da mocidade tão lentos
Agora a realizar os desejos infantis
Que insanamente o pedia agilidade
Para aflingir-lhe, agora, quando adultos.
E aquele tempo, outrola tão lento
Corre pela ampulheta da minha vida
Descontrolado e quase impercepitível
Tornando meus anos em breves momentos programados.
E a rotina, tanto antes repudiada
Agora a acalmar-me a alma
Ou antes a acomodá-la numa agenda traçada
Para no fim atormentá-la com o tempo que se foi.
E as pernas, e as ruas, e o mar....
Prosseguem com tanta naturalidade
Que não mais encontro espaço para a fuga
Ou antes, a possibilidade de carregar em mãos, a Vida!