quinta-feira, 26 de junho de 2014

Tempestade

Não se prendas, beija-flor
A tempestade do campo... que ontem
Passageiramente a flor parece ter estragado.

Não te iludas, beija-flor
Com a racionalidade do presente
Quando a vida nos tanto surpreende.

Não deixes, beija-flor
De beijar a flor mais bela do campo
Por achares que há sempre nela espinho e temeridade.

Não te esqueças, beija-flor
Que numa manhã inesperada
Podes abrir para ti o néctar mais sonhado...

É que a vida, beija-flor
As vezes vem como roleta da sorte
Dando a ti, em um momento, o presente da felicidade!!!

sexta-feira, 20 de junho de 2014

São João

O interior lá fora
Ainda permanece como sempre
Aquela imensidão de campo
Aquele friozinho de inverno.

Aqui dentro invade-se a tecnologia
E o matrix se impera
Permaneço lá no meu fantástico
E sempre perfeito mundo virtual.

Não há mais fogos lá fora
Para me assustar quando devido
Bem como a fogueira junina
Para aquecer a minha existência.

As crianças na matrix
Os velhos a dormirem cedo
E eu a escrever
Em vez de estar vivendo.

E vamos nos aquecendo
Com trajes cada vez mais necessários
Enquanto o coração vai se esfriando
Coberto na medíocre-bela contemporaneidade.