sexta-feira, 14 de junho de 2024

Poder


O poder 

Esse bicho impetuoso 

Que vai chegando de repente 

E faz-me esquecer de todo meu passado 


Vou esquecendo da fraqueza 

Do respeito e admiração pelo outro

Do carinho e atenção aos de casa

Até mesmo da minha humanidade 


Faz-me trocar de guarda-roupa 

De carro, casa e sandália

Só para viver a ilusão 

Que ando sob nuvens e tenho asas


Empino o peito na rua

Fecho o coração em casa

Esqueço das virtudes dos que são minha base 

E viro artista solitário 

A fim de reconhecimento e aplausos 


Caminho sobre luzes das câmeras 

Sob minha face modelada

E sobre comentários de fora 

Por pessoas que ocultam sua verdadeira mentalidade


Ah poder, poder

Contemporaneidade sublime

Espaço de realização do eterno desejo

De cada um falsamente realizar-se

Nessa sedutora sociedade do espetáculo 



quinta-feira, 6 de abril de 2023

Encontro


 Há vida atrás das brancas paredes 

Há histórias infindáveis 

Há alegria, sonhos, devaneios 

Como crianças a brincar de palmares


As horas voam

As histórias ficam extensas

A alegria vai surgindo 

E a vida parece suspensa 


O mundo lá fora tão diminuto 

E aqui dentro tão gostoso

Como sorvete no verão 

E no inverno, fondue saboroso 


Os sonhos crescendo 

As dificuldades pareadas

Os problemas tão compreendidos

Como uma amizade idealizada


E nessa roda de amigos

Vamos girando com o vento

Rindo dos problemas da vida

E dormindo na brisa leve do momento.

segunda-feira, 14 de março de 2022

O encontro

 Oh Maria! Como podes?

Flutuar por sobre este caminho de pedras

Num céu sobrecarregado e cinzento 

Como se fosses, para ti, céu de algodão?


Não te lembras da tempestade avassaladora 

Há quase um mês?

E do cenário político em ruínas

Da qual minha vida não se recuperou?


Paul! Não olhes para trás

Hoje faz sol de verão 

Tudo está se encaixando na normalidade 

No campo positivo do pensamento 


Não andeis como caranguejo 

A olhar para o que se foi

Hoje é o dia

Estou tão feliz e animada!


Aquiete-te Maria

Com esses seus discursos positivados

Que bens vejo seu futuro 

E seis que não vais para aquele lado


Não teremos oportunidade

Neste cenário tão devastado

Nesse cenário que seremos trocados

Ou antes, condenados, a viver no imaginário 


Marta, aquiete-te

Que o futuro ainda não vemos

E pouco o importa, mais do que hoje

Nem o ontem que já se foi


Andais abraçada a arte

A dramatizar a vida

E a romancear o caos

Como uma poeta em melancolia 


Mas que adianta 

Se não sentires a brisa do orvalho...


E que adianta achares que és feliz

Para lá na frente caíres num real buraco


Mas que adianta veres o buraco

Se cairás de qualquer forma?


Ai! Coitados de nós 

Como escaparemos desses tempos verbais?


Que tempo? Não penso! 

Sou louca? Só uma coach? 

Ah! Tanto faz! 

Acho que sou manhã de verão!


Acordas!

Já já é outono-inverno!

Vou pegar meu casaco! 


Acordas!

O verão já passou

Vou guardar minhas blusas de alça


Já chega!

Vocês me deixam confusa

Como bola nas mãos das crianças!





Maria José

 Maria, Maria...

Que carregas em si

O paradoxo dos sexos

A gangorra da vida


No seu semblante de anjo

Na sua face de menina

No seu corpo de modelo

Insistes em ser menino


Quer ser forte

Quer ser inteligente 

Quer ser mais

Mais do que ele


Na roda entre amigos 

Queres estar com os homens 

Discursando sobre política 

Sobre economia e perspectivas sociais 


Pouco importa as etiquetas 

As cirurgias plásticas 

Os encontros em cabeleireiro 

As academias de ginástica 


Pouco importa ter amante

Um homem que a banque

Um carro para passear 

Ou crianças para brincar 


Queres antes, uma sala

Com seu nome na porta

Diplomas na parede

E um olhar admirado da mãe 


Na ânsia de amor 

Vais vivendo na angústia 

A criar inúmeros degraus na escala

Para tornar-se mais notável do que ele


Mas, olha Maria

Ele é tão pequeno

Tão imperfeito, baixa-estima 

Tão limitado em conhecimento...


Mas tu me olhas e não compreende

Que essa guerra está vencida 

Não pela razões objetivas da vida

Mas por serem elas, apenas, psíquicas

Bodas de madeira

 Há cinco anos

Nos encontramos 

Numa praça de alimentação 

No dia dos namorados 


Eu ia tão sem precisão 

Sem a mínima intenção 

Que do nosso encontro de amigo

Chegaríamos a algo mais 


Há quatro anos

Nós nos encontramos 

Agora no altar

Para nos casarmos 


E desde então 

São tantos os momentos juntos

Tantas conquistas alcançadas 

Bem como as lutas realizadas 


Entre tantos sorrisos e lágrimas 

Lá vamos nós benzinho ok

Caminhando por nossa estrada

Sempre de mãos dadas


Com a fé no Autor da vida

Com o teu riso de criança 

E minhas ansiedades de adolescente 

Vamos nós nos amando 


Vamos nós pintando 

O quadro da existência 

Com o mar e o sol de Salvador 

E a neve das Cordilheiras 


Dando aos nossos momentos 

Aquele tom peculiar 

Dos apaixonados  

Parceiros na vida 

Esther

 Como estrela que aguarda a noite

Para que meus olhos possam te contemplar

Você já surgiu em mim

Com a certeza que teremos noite iluminada


Desde que escutei seu coraçãozinho de dias

O meu não para de bater por ti

Num amor sobrenatural 

Reflexo do milagre de tua vida


Amo-te desde já 

Mais que o infinito 

Minha estrela  iluminada

Que já brilha meus dias


Amo-te sem ainda ver tua face

Sem segurar-te nos braços 

Como em só te carregar comigo

Já faz-me sentir enaltecida


Sei que não seremos perfeitas

Nem todos os dias serão primavera

Mas tê-la já me faz correr pelas calçadas 

Como se não importasse a estação 


E nesse trem da existência 

Você já tem ensinado-me tantas coisas 

Como a nem sentir as furadas dos exames 

Enquanto o coração transborda de alegria


E sem pressa, sem contar o relógio 

Vou esperando-te

Preparando-nos

Para viver as bençãos divinas

Amor incondicional

 Amo-te desde que te vi

Pela primeira vez

Tão pequenininha 

E já com olhar fixo em mim


Amo-te cada dia mais

Minha pequenininha 

Que me leva a exaustão 

Ao mesmo tempo que leva paz


Seu sorriso me derrete

Mesmo estando tão chateada

Sobrecarregada em cuidar-te

E não tendo tempo nenhum para mim


Tu me levaste

Ao topo do altruísmo 

Enquanto eu era ainda

A narcisista de sempre


E já não sou só mais eu

Somos nós 

Pequenininha de minha vida

Amor infinito de mainha


E se o futuro traz tantas aflições

Posso parar e fixar em ti

Para com teu sorriso infantil 

Sobressair minha doce meninice.