sábado, 31 de janeiro de 2009


Sonhador

Sonhador!!!
Passas pela minha janela
E acena para mim
Tua esperança.
Soltas beijos
Em forma de sonhos
E derrama as pétalas
Que conquistarei
Ao teu encontro.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009


Ecos constantes em paredes vazias
Só o pêndulo do relógio
Em meia volta
Volta meia
Não pára
Solidão.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009


Vida distante ou
Amor à distância

Que felicidade!
Não estou sozinha
Nem preciso sair de casa.
Não preciso ter casa
Não preciso ter medo de amar.

Não preciso parar de estudar
Não preciso sair para trabalhar
Não preciso aventurar o coração...
Para ter a sensação de namorar.

Tenho meu amor e amo-o
Em palavras
Em discursos...
Em fotografias.

Amo-te sem nunca ver-te
Amo-te sem nunca tocar-te.
Beijo-te todas as noites
E amamo-nos em nossas casas.

Nosso namoro já se prolonga
E a paixão nunca acaba.
Sempre tenho novas
E tu, palavras.

Relacionamento sem brigas
Sem ciúmes, nem defeitos
Tu és perfeito
E eu, a tua amada.

Amamo-nos em sonhos
Amamo-nos em tela
Vamos criando desejos
Em inventários de vida bela.

Como amores comuns
Sentimos a falta
A falta de palavras
Quando o tempo nos falta.

Sinto a tua falta
E desejo-te toda a noite
Até quando nos amamos, em palavras
Frente a telas pintadas.

Tela onde pintamos desejos
Tela onde o cupido arteiro
Flechou-nos com linhas
Linhas trançadas de palavras.

Para de palavras fazeres a nossa cama
De palavras estremeçermos os corpos
De palavras criarmos o amor
E de palavras nos criarmos.

E eis voce no meu quadro
Idealizado como nosso amor
E eis eu no seu
A trazer poucos traços do que sou.

E sem materialidade
Nao precisamos mais de realidade
Precisamos somente da virtualidade
Que nos faz perfeitos amantes e estrelas.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2009



Aspecto do amar

Em meu espelho
Vejo uma cama vazia...
E o corpo de uma mulher
Descalça
Com roupa antiquada
Cabisbaixa
Com seus longos cabelos...

A noite está fria
E o coração ainda quente
Anda apertado...
Amarrado em tiras vermelhas

Com o semblante abandonado.

No chão algumas lágrimas
De quem perdeu algo.
No relógio
O tempo não passa...
O cabelo não desembaraça...
A esperança teima a não morrer.

Mulher teimosa
Nunca aprendestes a não amar,
Nunca deixas de esperar
Por um trem que nunca pára.

Mas eu sou a mulher
Que não mais consegue se ver no espelho
Que estou a parar
Que estou a morrer
Que não aprendi a viver.

Descalça,
Sinto o chão em brasa
Sob meus pés sensíveis
Ridículos!
Que não sabem para onde vão.

Por que larguei meu rumo
Para pistas que nunca andei?
Infeliz que sou
Pensei ser a felicidade.

Acabei sem pistas
Acabei sem mim
Acabei só um resto de mim.

Amei a rosa
Mas não sabia que o espinho fazia parte
E cada dia a me cortar
A me dividir
A me diminuir
Rasgando um coração de papel
Riscando-o com cores sombrias
Que nenhuma tinta apaga.

Com as mãos machucadas dos espinhos
Só existem lembranças da rosa,
A perfurar as feridas.

Com o coração partido
A vida me abandona
Só existe o resto do olhar
Um olhar sem brilho
Como um dia nublado.

E eis eu ali...
Pequena mulher
A sumir...
A se fechar
Num último ofício de quem

Nao mais tem por quem esperar.

Sem caminhos
Sem pés...sem braços...
Não há o que se esperar
Somente que os cacos se juntem
E sobre ainda
Algum resto de mulher
Algum motivo de vida
Alguma razão de sonhar.

Mas sem esperanças
Só me resta o fechar

O pentear

Como ofício a preparar
O aceno para a infinita partida
Sonhando em desejar o que nunca pode
Que o amor não volte
Nunca mais...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009


Quebra-cabeça

Roma
Mora
Omar
Ramo
Maor
Armo
Amor
.
.
.
Reflexão
.
.
.
A Roma idealizada... construída sob mitos... morada dos sublimes... rodeada pelo mares... em ramo se destacou... o maior... se elevou... se abateu... na loucura desmedida... armada pelo forte elemento do desejo... amor... e assim seguem ambas (Amor e Roma) em nossa língua tão bem harmoniosa que diria serem de uma mesma essência... tão bem representada pelas palavras cujas letras se anulam... e vão formando histórias e fins em comum.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009


Gangorra

Na gangorra da vida
Eu venho
Tu voltas...

Eu subo
Tu desces...

Eu ao sul
Tu ao norte...

Nunca nos encontramos...

Eu com medo
Tu confiante...

Eu confiante
Tu com medo

Não desças!
Não desças!

Vamos se jogar?
...
Rosy Sales

sábado, 10 de janeiro de 2009


O Crime



Na ampulheta do tempo

A menina dos teus sonhos

Vai se esvaindo em grãos... em líquido...

Pelas tuas grossas e abertas mãos.



Olha distante... Confiante

Palavras certas...

Você segue... viajante

Só crê que a menina te segue.



Cada vez mais distante

Seus passos seguros

Sob caminhos imprecisos

Vai voando em sonhos.



Só quando em casa

A perceber que a menina nao volta

Vê-se as mãos borradas... pintadas...

Pelo crime da espera... da nulidade.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009


FELICIDADE

Disseram-me que felicidade existe,
E desde pequeno a procuro.
Não sei se é somente porque gostei de seu nome,
Ou é um amor platônico e infantil.
Não sei se é inconsciente ou racional,
Não sei se porque me juraram que ela existia,
Que tomei por prová-la.
Às vezes, até cheguei a tocá-la, de longe.
Conquistei o seu lenço, somente.
Ela sorriu por um minuto,
E eu parecia estar nas nuvens,
Por uns minutos.
Dormi, sonhando que ela continuasse ali mesmo.
Mas pura ilusão.
Ela fugiu, ou não era o seu lugar.
Então a desejei completa e eternamente, só para mim.
A Procurei incessantemente; os anos passaram.
Nunca esqueci aquela linda e inexplicável felicidade.
Outras vezes até conquistei um pouco de sua presença,
Algum resquício de si. Mas só isso.
Então era isso,
Talvez ela existisse, ou fosse utopia humana.
Mas bastava isso: amá-la e desejá-la,
Mesmo que nunca a possuísse completamente.
Porque a vida é a verdadeira graça!
E eu: sua criança, a brincar entre suas infinitas pernas.
Rosy Sales
Se quiseres que eu saiba,
Que eu sinta...
Mostre-me!
Mostre-me com as mãos...
Com a face...
Com a presença...
Com a matéria...
Os sentidos.
Mas não com as palavras,
Não as necessito mais!
Abraço sem calor,
Beijo sem gosto,
Promessas sem atos,
Narrativa em quadro.
Quadro sem vida,
Numa praia sem gente,
Ondas sem movimentos,
Areia sem grãos
Sol sem vento
É só um quadro!
Palavras... falas...
Que o vento leva e passa.
Carta ao leitor

Vais dormir amigo leitor,
Deves estar cheio e triste
Desses poemas sem palavras,
Cuja realidade crua e fria,
Vais inundando teu ser,
Que nem sabias existir.

Como um gato na janela,
Esperavas uma sardinha,
Pensava haver algo na pia.
Estavas certo:
Existia.
Mas era um saco de pedras.

Por que não desististes de primeira?
Teimoso que és,
Querias saber o que sempre soube.

Como um cão ansiando pelo seu osso,
Na porta de um velho,
Cuja geladeira está vazia,
Estavas lá a esperar.
Mas o quê?

Dorme!
Eterna questão essencial

A vida inteira é muito tempo.
Imagine um mesmo celular a vida inteira
Um mesmo ofício a vida inteira
Uma mesma faculdade a vida inteira
Um mesmo carro a vida inteira
Uma mesma roupa
Um mesmo calçado
Um mesmo relógio
Um mesmo dia
Uma mesma estação de ano
Uma mesma estação de rádio
Um mesmo filme todos os dias
Uma mesma comida
Um mesmo livro
Uma mesma história
Um mesmo PC
Um mesmo amor...

Ah não! Com amor não.
Tem que ser eterno!
Por quê?
Porque tem que ser!
Maria

Maria, Maria,
Deixes de sonhar,
Esqueça o amor,
A fantasia,
A esperança.

Sozinhas no escuro,
Encontras o José.
Sozinha continua,
A viver,
A ser.

José segue em frente.
Não olhas,
Não olhas.
Deixe-o em paz.
Esquece-o.

Sozinha,
Prossiga.
Sem fantasias,
Sem esperanças.
É sozinha Maria.


Mas se eu queria?
Querer é para muitos, Maria.
Mas poder é para poucos.
Descansa,
Esperas o fim.

Mas quê?
Pra que os sonhos,
Querida?
Alcançou-os por vez?
Oh, trágica histeria,
Contemporânea.

Vens,
Quer um abraço?
Dou-te,
Mas só isso.
O agora.
Vá pra casa.

Ainda nisso?
Sentimentos?
Oh Maria,
Desisto,
Não há jeito,
És mesmo antiquada
Amor não mata!

Dizem que amor não mata,
Não...mata.
Sonhos,
Crenças,
Projetos inacabados,
Idealizações.

Sem lágrimas,
Os passos lentos,
Aprendizagem,
A negação do ser,
Ser sentinte,
Solitário.

Sem amanhã,
Sem trilhos,
Segue desgovernado,
Meu vagão,
Movido pela falta,
Falta de carvão.

Lento, lento, lento...

Sem destino,
Sem roteiros,
Sem esperança,
Só um ponto de luz,
Distante,
Através da aparente Tela.

Sem sonhos,
A noite passa,
Depressa,
Sem pressa,
Para pensar,
No palco da vida.

Rápido, rápido, rápido...


Meu mundo

Sempre vejo o mundo,
Pela janela de minha casa,
Janela de vidro,
Nem grande, nem pequena.


Às vezes, na náusea,
Apago as luzes,
E ele fica lá,
Meio que distante.

Sinto-me aliviada,
Ali sozinha,
Só eu, ainda confusa,
Minha singularidade.

São nesses momentos,
Que vou a uma extremidade do quarto,
Entre os resquícios das luzes externas,
Olhar-me no espelho.

Meio antigo,
Meio empoeirado,
Conservo-o por estilo,
E vejo a menina de antes, do agora.

Com um gozo singular,
Vejo a imagem que sonhei,
Cada vez mais distante, translúcida,
Na passagem das luzes externas pelo aposento.

Distante, temerosa,
Começo a sentir a chegada do dia,
Tristonha, me despeço,
Deixando lá meu tesouro escondido.

É dia de sol,
Abro as janelas,
Com os olhos pestanejando,
Difícil ver o mundo.

Saio sozinha,
Ruas vazias,
Ônibus vazios,
Só pernas meu Deus!

Na impossibilidade de ser,
Na impossibilidade de não ter,
Aquele que não é,
Abdico dos meus preciosos desejos.

E na ausência de sentido,
Sigo em frente,
Em mais um dia monótono,
A sonhar a noite de viver o eu.
Ainda não sou flor

Sou apenas a esperança de vir a ser

Promessa hereditária de ser algo
Numa materialidade mal definida.


Mas ainda não sou flor
Nem sei se virei a ser

Ou se saberei que sou

Para além de uma estrutura... definição.


Ainda sou projeto

Sou mistura... fusão

Racionalidade... sentidos... instintos...

Cósmico e materialista.


Ainda sou junção de pétalas... botão

E lá entre inúmeras rosas...

Vou se fazendo uma

Num eterno desejo de ainda ser.