sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Ruído

As vezes as palavras não dizem nada

As vezes as palavras dizem muito

Muito mais do que eu queira expressar...

 

E vão elas se multiplicando

Tentando corrigir o incorrigível

Quando na virtualidade não há borracha

E dela se exclui a face, o sorriso

 

Se retira as expressões da velha face

As lágrimas de choro e de riso

O olhar e seus desvios inevitáveis

 

Fica quase nada

Só palavras, pontuações

Quase sempre mini ou monosilábicas

Muitas vezes mal enterpretadas

 

E vamos nos desviando

Tentando corrigir palavras editadas

Na vão tentativa de editar o indizível.

 

E na impossibilidade de se revalar a face

De fazer carinhas diferentes

E apagar com beijos e carícias

O que a falta da esponja do whats não apaga...

 

Vou eu a dormir tão aborrecida... incompreendida

Diante dos sentimentos e da realidade serem tão diferentes e calmos

Daquelas  multidões de palavras virtualmente mal expressadas.

 

Pobre de mim e infeliz ser contemporâneo!!!

Onde a virtualidade nem de longe me fornece

Os inúmeros recursos que minha humanidade usufruia

E a palavra se torna a imperiosa verdade absoluta e incorrigível.

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