Se por acaso o tempo
Esse ser imperioso na vida corpórea
E o vento
Esse ser imperioso na alma eterna
Puder-me dar a oportunidade da velhice...
Vou expor a eles meus sonhos e fé!
Vou pedir ao Criador
Que nunca me falte o riso da infância
A coragem da adolescência
A sabedoria do adulto
E a sensibilidade do idoso...
Que nunca me falte os netos e os filhos
Mas que nunca os prendam a mim
Nem os desconforte com a angústia
De ter dever para comigo.
Não quero senti-los perderem os empregos
Pela obrigação de estarem aqui.
Quero-os, antes, que eles os mantenham
E espere, ansioso, pelo final do expediente e da semana
Para correr e estar ao meu lado.
Quero alguém ao meu lado
Que possa cuidar do meu café, minhas roupas e minha vida
Que possa ser companheira de histórias durante o dia
Mesmo que no início eu estranhe sua presença
Como uma criança quando trocam a mãe pela babá.
Mas depois... como viver sem ela?
Quero filhos achegados pelo coração
Não pela obrigação.
Quero filhos que saibam perdoar
E não se culpem tanto pelo que são e fazem
Pois há infinitas formas de colorir o palco da vida
Sem ser uma cor mais linda ou importante que a outra.
Afinal, é quando não se deve, que mais se quer!
Quero conservar a sabedoria na família
Para que o óbvio assim não o seja
E que o presente não os prendam de verem
Que diante do problema
Existem tantos outros caminhos e modos de resolvê-los.
Quero, enfim, que a emoção seja infinita
Quando ela for doce e saborosa como um brigadeiro
E que ela seja mínima ou inexistente
Quando parecer impetuosa e desequilibrada
Como um prato que, por descuido, passa a ter excesso de sal.
E, no fim, quando meus olhos pequenos
Aos poucos não enxergarem nada
Possa eu ver em mente
As infinitas coisas que vivi
Sobretudo, o amor que tive e que recebi.
E possa abraçar o Criador e dizê-lo:
Valeu a pena te servir!
Nenhum comentário:
Postar um comentário