sexta-feira, 6 de março de 2020

Controle

Como o menino a brincar com o carretel
No movimento do vir-a-ser pelo Fort-da
Vou eu a tentar controlar a vida
Através do meu fraco e curto cordão

Tentei trança-lo
Mas ele encurta
E não alcança o futuro

Tentei limpá-lo
A ser forte como era
Mas não alcança o presente 

E como cobertor curto no inverno 
Como fico eu?
Se não, a puxar o que tenho 

Mas olho para frente 
E me apavoro
O futuro não existe, nem antes, se revela

Não posso pintá-lo
Em meu quadro rabiscado
Amarrando-o a assim se realizar

Nem posso abandoná-lo
Já que a família vive muito
E eu, quase certamente, irei alcança-lo

Pobre neurótico que sou
A sonhar em dominar o tempo... a vida...
Enquanto só tenho um leve carretel na mão !

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