sexta-feira, 14 de junho de 2024

Poder


O poder 

Esse bicho impetuoso 

Que vai chegando de repente 

E faz-me esquecer de todo meu passado 


Vou esquecendo da fraqueza 

Do respeito e admiração pelo outro

Do carinho e atenção aos de casa

Até mesmo da minha humanidade 


Faz-me trocar de guarda-roupa 

De carro, casa e sandália

Só para viver a ilusão 

Que ando sob nuvens e tenho asas


Empino o peito na rua

Fecho o coração em casa

Esqueço das virtudes dos que são minha base 

E viro artista solitário 

A fim de reconhecimento e aplausos 


Caminho sobre luzes das câmeras 

Sob minha face modelada

E sobre comentários de fora 

Por pessoas que ocultam sua verdadeira mentalidade


Ah poder, poder

Contemporaneidade sublime

Espaço de realização do eterno desejo

De cada um falsamente realizar-se

Nessa sedutora sociedade do espetáculo 



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