quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Eis-me


A maioria das pessoas
Parece nascer artistas.
São tão equilibradas
Tão corajosas diante da vida
Que em decisões necessárias
Nem cambaleiam para agirem.

São tão alegres
E constantemente felizes
São tão positivistas
E tão de bem com a vida...

Mas eis que nem nisso me enquadro.
Sou tão medrosa
Que adio intempestivamente
As decisões que deveriam ser do hoje.

E sou tão inconstante
Que sou capaz de amar tanto hoje
E acordar, amanhã,
Duvidando dessa emotividade.

E em meio às lutas para perfeição
Deparo-me, sempre,
Com a cara marcada
Riscos de uma queda imperfeita.

E, finalmente,
Quando chega a hora da apresentação
No palco da vida...
Lá vou eu esquecendo os treinos
E revelando minha cara limpa
Que não sabe representar quase nada.

Sob muitas troças
E quase dois aplausos
Saio do palco
Com a cara de palhaça.

E como não se dá para brincar
Com os adultos sublimes
Famosos e glamorosos...

Lá vou eu me lambuzar
Com as doçuras de criança
Numa praça qualquer ...
Em balanço outrora usado.

E no vai e vem
Do brinquedo revelado
Lá vou eu...
A ir e voltar
Como nos sonhos da vida.

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