quarta-feira, 29 de junho de 2011

Sereia




Estou cansada...
Cansada das vestimentas humanas
Todas moralmente idealizadas.

Cansada de ser gente
Em pele de gente
A esconder minhas escamas
Originalidade.

Já não sei sentir o chão
Nadar só como antes.
Já não sei não falar.
Já não sei me despir
Sem a sensação de erro.
Já não sei ser...
Além do nome que me deram.

Com meu casaco de gente
Vou andando pelas ruas
Com andadas sempre vacilantes...
Ruas cheias de seres vacilantes...
Parecendo gente.

Com veste de gente
Vou deixando à mostra
Cada vez menos minha calda
Minha ancestralidade...
Meus instintos...
Meus desejos...
Minha amoralidade
Eu mesma!

E eis-me aqui...
Num espaço construído por outros...
Num mundo que foi me dado
Com costumes sempre passados
Com nome que me foi delegado...
Sendo gente...
E cada vez menos bicho.

Pera!
Preciso mergulhar!
É tempo de ser... peixe!

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