segunda-feira, 30 de julho de 2012

Soberania

O poder, o cargo, o sistema
Eles mesmos me fascinam
Como observador anônimo
Eis-me a me deliciar
Com o que ele propicia-me.

Tão imponentes, grandiosos
Como donos da justiça, da vida e da morte
Imortais, em pele de gente
Imperiosos, invencíveis, singulares e eternos.

A perpendicularidade do queixo
A postura saudável de um imponente.
Como quem passa a tropa em revista
A render-lhes continência.

Tropas …. e tropas... fardados.
Imensidões deles nos campos, nas cidades, nas batalhas
Imensidões ao caminho da morte, devotos, treinados, governados.
Imensidões tornando-se incapacitados, coxos, mudos, cegos, abobalhados.

Nesse ponto, duvidoso fico
Quanto a direcionalidade do meu olhar.
Tão juntos no espaço... separados por cordas invisíveis.
E você, Maria, em meio a eles, quase imperceptível
Se não fosse a insignificância algo paradoxalmente notável.

Com sua histeria sem mais graça, sem  mais força
A gritar na rua, a chorar em casa, a espernear no palco
E se tens alguma arte é a de palhaço
E como espectador, vou rindo da ingenuidade
De quem vai se pintando, dançando, vestindo... seus próprios trajes.

                                Paul Karter

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