Eis a menina a brincar com os amores
Querendo quem no momento não a quer
Sendo amada pelos que ela não mais ama.
Na gangorra do amor
Eis a menina de pés ao alto
E olhares inconformados
A brincar e ser brincada
Neste polo incongruente da afetividade.
Quando a chama acende
O outro apaga.
Quando se cansa e distancia
O outro, em novas chamas, deseja.
Deve haver uma explicação
Sobe de novo a menina
E desce, seguidamente, sozinha
Sem respostas, sem palavras.
Haveria de ter problemas o amor
Ou antes a boba menina
Que embora soubesse do paradoxo humano
Nunca jogava como sabia.
Ou queria ser eterna solteira esta menina
Ou nunca deixara o parque imaginário
Com as ferramentas nas mãos
Abria a mão do jogo
Para brincar nos romances empoeirados.
Se era triste, ou era alegre
Se persistiria, ou desistiria
Não sabíamos: nem eu, nem ela
Apenas de longe a via
A subir e a descer, constantemente
Com coração cada vez mais parado
Na gangorra do amor.
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