segunda-feira, 14 de março de 2022

O encontro

 Oh Maria! Como podes?

Flutuar por sobre este caminho de pedras

Num céu sobrecarregado e cinzento 

Como se fosses, para ti, céu de algodão?


Não te lembras da tempestade avassaladora 

Há quase um mês?

E do cenário político em ruínas

Da qual minha vida não se recuperou?


Paul! Não olhes para trás

Hoje faz sol de verão 

Tudo está se encaixando na normalidade 

No campo positivo do pensamento 


Não andeis como caranguejo 

A olhar para o que se foi

Hoje é o dia

Estou tão feliz e animada!


Aquiete-te Maria

Com esses seus discursos positivados

Que bens vejo seu futuro 

E seis que não vais para aquele lado


Não teremos oportunidade

Neste cenário tão devastado

Nesse cenário que seremos trocados

Ou antes, condenados, a viver no imaginário 


Marta, aquiete-te

Que o futuro ainda não vemos

E pouco o importa, mais do que hoje

Nem o ontem que já se foi


Andais abraçada a arte

A dramatizar a vida

E a romancear o caos

Como uma poeta em melancolia 


Mas que adianta 

Se não sentires a brisa do orvalho...


E que adianta achares que és feliz

Para lá na frente caíres num real buraco


Mas que adianta veres o buraco

Se cairás de qualquer forma?


Ai! Coitados de nós 

Como escaparemos desses tempos verbais?


Que tempo? Não penso! 

Sou louca? Só uma coach? 

Ah! Tanto faz! 

Acho que sou manhã de verão!


Acordas!

Já já é outono-inverno!

Vou pegar meu casaco! 


Acordas!

O verão já passou

Vou guardar minhas blusas de alça


Já chega!

Vocês me deixam confusa

Como bola nas mãos das crianças!





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