Maria, Maria...
Que carregas em si
O paradoxo dos sexos
A gangorra da vida
No seu semblante de anjo
Na sua face de menina
No seu corpo de modelo
Insistes em ser menino
Quer ser forte
Quer ser inteligente
Quer ser mais
Mais do que ele
Na roda entre amigos
Queres estar com os homens
Discursando sobre política
Sobre economia e perspectivas sociais
Pouco importa as etiquetas
As cirurgias plásticas
Os encontros em cabeleireiro
As academias de ginástica
Pouco importa ter amante
Um homem que a banque
Um carro para passear
Ou crianças para brincar
Queres antes, uma sala
Com seu nome na porta
Diplomas na parede
E um olhar admirado da mãe
Na ânsia de amor
Vais vivendo na angústia
A criar inúmeros degraus na escala
Para tornar-se mais notável do que ele
Mas, olha Maria
Ele é tão pequeno
Tão imperfeito, baixa-estima
Tão limitado em conhecimento...
Mas tu me olhas e não compreende
Que essa guerra está vencida
Não pela razões objetivas da vida
Mas por serem elas, apenas, psíquicas
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