
A dança
Sou a bailarina
Cuja dança não se vê
Fora de meu palco encantado.
Encantado
Seja porque a criei
Seja porque não saiba ser outro
Mas o que me ameaça
Não é o palco que eu criara
Mas o dia que outros criam
Dia como dos apaixonados
Só para ter a sensação
De que se é sozinho
No palco da vida.
Tenho duas mãos
Dois pés...
Um corpo completo
Mas incompleto.
Olho-me
E não vejo falta de nada
Só a sinto, intensamente,
Quando danço a vida.
Como um tango argentino
Eis a vida
Que não se pode dançar só.
Pois na dança
São dois
E não são dois:
É outra parte de mim mesma.
E eis os passos
Descompassados
Que nos tiram da dança
Derrepente.
Que nos desloca da perfeição
E nos afasta
Do parceiro,
Antes acoplado, uno.
E ao menos
Que não insista em acertá-la
Tentando...
Voltar aos passos...
Ou criar outros...
Ficarei de fora
Do espetáculo
Da dança
Que sempre fora minha.
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