quarta-feira, 8 de junho de 2011

Moldura



O retrato em minha sala
Vez em quando me intriga
Por sua moldura de prata
Que acrescentou em mim
Imagem de fantástico.

Moldura que deixou de fora
Meus papeizinhos enrolados
Meu grito do dia-a-dia
Meu medo de acordar.

Cortou de mim
As mãos sem aliança
Os pés descalços
Os joelhos marcados.

Da foto tirada
Fez-se moldura, cortada.
Em quadro moldado
A mão de artista hábil.

Moldado a um rosto sem rugas
A face sem as olheiras de ontem
Sem o sem-sorriso de sempre
A brilhar pelo flash.

Agora, eis eu aqui em frente
Desse retrato retratado
Eu e tu, em paralelas, retrato,
Em linhas que nunca se cruzam.

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