Meu mundo
Sempre vejo o mundo,
Pela janela de minha casa,
Janela de vidro,
Nem grande, nem pequena.
Sempre vejo o mundo,
Pela janela de minha casa,
Janela de vidro,
Nem grande, nem pequena.
Às vezes, na náusea,
Apago as luzes,
E ele fica lá,
Meio que distante.
Sinto-me aliviada,
Ali sozinha,
Só eu, ainda confusa,
Minha singularidade.
São nesses momentos,
Que vou a uma extremidade do quarto,
Entre os resquícios das luzes externas,

Olhar-me no espelho.
Meio antigo,
Meio empoeirado,
Conservo-o por estilo,
E vejo a menina de antes, do agora.
Com um gozo singular,
Vejo a imagem que sonhei,
Cada vez mais distante, translúcida,
Na passagem das luzes externas pelo aposento.
Distante, temerosa,
Começo a sentir a chegada do dia,
Tristonha, me despeço,
Deixando lá meu tesouro escondido.
É dia de sol,
Abro as janelas,
Com os olhos pestanejando,
Difícil ver o mundo.
Saio sozinha,
Ruas vazias,
Ônibus vazios,
Só pernas meu Deus!
Na impossibilidade de ser,
Na impossibilidade de não ter,
Aquele que não é,
Abdico dos meus preciosos desejos.
E na ausência de sentido,
Sigo em frente,
Em mais um dia monótono,
A sonhar a noite de viver o eu.
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